SACOLAS 1
Sobre o hábito dos brasileiros ajudarem quem viaja de pé nos "ónibus" carregando os sacos, recebi do meu amigo e escritor Carlos Barbosa um relato. Por questões de espaço, reproduzo apenas alguns excertos,pedindo desde já perdão pela edição apressada.
Sobre a história... se é verdade, não sei. Só sei que foi assim:
"Sexta-feira seria dia dos namorados. Minha namorada morava na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Amanheci a quinta-feira decidido a curtirmos juntos aquela data e um fim de semana especial(...)Durante o dia, adotei providências para aquisição de passagens aéreas, retirada de talão de cheques ? estávamos nos anos 80, do século passado ? e revelação de fotos da última viagem(...) Dei por encerrado o expediente lá pelas 22:00 h. Fui a pé até a estação da Lapa e tomei o ônibus coletivo para minha modesta Vila Laura.Como sempre, viajei em pé no interior de um lotado coletivo, entonado em um absurdo terno para o calor de Salvador.
Foi então que bela morena se ofereceu para levar no colo o gordo envelope que prendia desajeitado debaixo do braço. Era estudante, pelos livros que conduzia. Entreguei o envelope à moça e a imaginação aos prazeres que me aguardavam mais ao Sul na noite seguinte. E assim transcorreu a viagem, a subir e a descer ladeiras, o motor do ônibus reclamando alto do esforço dele exigido para vencer tamanhos aclives. Saí do devaneio ao avistar o mercadinho que marcava meu ponto de descida. Acionei a campainha e me adiantei no corredor, descendo leve e fagueiro tão logo o ônibus parou no ponto.Ao me aproximar do edifício em que residia, lembrei-me do envelope. Meu coração disparou. O envelope havia ficado com a moça no ônibus! Subi a ladeira correndo, aflito. Ao chegar no ponto onde descera ainda pude ver a traseira do ônibus sumindo-se na curva da rua, uns trezentos metros adiante...
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